Momento Mãe
Pessoal,
Estou fazendo um pequena pausa forçada no blog ok? No máximo de alguns dias (não muitos, espero), pois minha filha está muito gripada e nao estou conseguindo ter tempo para nada além de ser mãe. Gripe já é muito chata em adulto, agora imaginem numa criança de apenas 3 anos.
Nesse época, aqui é assim mesmo. Frio, neve, gripe… (para quem não sabe eu moro na Itália)
Espero que vocês possam compreender.
Um abraço forte à todos/as e bom fim de semana.
O inverno
Eis-me! Perdoem- me pelo atraso, mas problemas na conexão não estavam me deixando “postar”.
Primeira novidade: Hoje começaram minhas aulas de Piano
daqui a duas semanas reinicio com o violão também.
Segunda novidade: O inverno chegou finalmente. Nevou um pouquinho. Ja estava com saudades da neve, do frio, das noites e dias com a lareira acesa. Que delicia!
Ao final do post adiciono algumas fotos tiradas por mim, desse e de outros invernos. Espero que gostem das fotos e do texto.
Boa semana! Adoro vocês. Obrigada por tudo.
O Inverno
Muitos dizem que o inverno é uma estação cinza, que simboliza a morte, a noite, por seus tons escuros, pelo frio, pela “hibernação de plantas e animais”. Talvez seja, eu também sempre sempre pensei assim, porém hoje já não tenho mais certeza de que o seja. Esse inverno é o mais “quente”, o mais vivo de todos os tempos para mim, parece mais um a primavera. Projetos que desabrocham, esperanças que nascem, corações que se aquecem.
Ontem nevou pela primeira vez nesse inverno. Pouca neve, mas muito frio. Frio, muito frio lá fora, aqui dentro não. Aqui dentro o frio chegou, bateu, matou um monte de coisa, mas depois foi embora, deixando para trás as sementes de um hoje melhor, mais bonito, mais feliz.
Me sinto muito mais inspirada no inverno e na primavera. O primeiro me traz a paz o silêncio que tanto preciso para sentir a inspiração da minha musa, da musa dos escritores de coração, da musa daqueles que receberam o dom das palavras; a segunda, me inspira graças a suas cores, perfumes, ao sentimento de renascimento. E para mim, para minha alma, no agora interior é primavera! Que bela combinação! A primavera e o inverno juntos alimentando minha imaginação, meus pensamentos, minha inspiração, minha vontade de escrever.
Eu escrevo sempre que tenho vontade. Escrever para mim é um prazer. E’ um mostrar-me para o mundo. E’ deixar prova da minha existência, dos meus pensamentos, sentimentos, opiniões. Escrever para mim é como fazer uma foto. E’ deixar impresso aquilo que vivo, que me acontece ao redor; é mostrar como isso me atinge e que efeito faz.
Muitas pessoas me criticam, dizem que eu deveria publicar um livro ao invés de publicar na internet. E’ verdade, um gostaria de publicar um livro, mas não trocaria a oportunidade que tenho de publicar na internet, de interagir com as pessoas, de levá-las uma palavra de apoio, ou ajuda, sei lá. Fico tão feliz ao saber que meus textos ajudam alguém, fazem repensar decisões (já tomadas ou não). Nada é mais gratificante do que receber um elogio (ou critica) e poder interagir, agradecer, indagar para saber onde posso melhorar. E é isso o mais importante! Melhorar, melhorar sempre! Escrever, escrever sempre! Viver, viver sempre e para sempre nas palavras.
Eu escrevo sobre o agora, o hoje. Também já escrevi sobre o passado, é bonito, deu bons frutos, mas agora para mim é somente o presente. E’ como se eu “nascesse” de novo. Agora mais forte, mais determinada, mais experiente. Exatamente como o ciclo das estacões. Nascemos na primavera, crescemos até chegar ao nosso ápice no verão, e depois aos poucos, começamos o caminho inverso até “morrer” no inverno… E’ assim como a vida de cada um de nós. A única particularidade nesse momento é que o meu renascimento dessa vez acontece no inverno. Talvez eu fosse como um animal e precisei hibernar esse tempo todo até agora para poder finalmente renascer.
O inverno vai ser frio e muito nevoso lá fora, porque aqui dentro brilha o sol, as flores perfumam e os pássaros cantam…
Ana Carolina – Garganta
Fim de semana chegando, mil novidades para contar para vocês na semana que vem….
Deixo vocês com o show de violão e voz da maravilhosa Ana Carolina.
Bom fim de semana, perdoem-me essa semana atípica por aqui, mas semana que vem explico tudo ok? Prometo!
Beijo a todos/as, fiquem com Deus muito obrigada por tudo, principalmente pela audiência!
Garganta
Ana Carolina
Composição: Totonho Villeroy
Minha garganta estranha
Quando não te vejo
Me vem um desejo
Doido de gritar
Minha garganta arranha
A tinta e os azulejos
Do teu quarto, da cozinha
Da sala de estar (2x)
Venho madrugada
Perturbar teu sono
Como um cão sem dono
Me ponho a ladrar
Atravesso o travesseiro
Te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço
Faço ela rodar (2x)
Sei que não sou santa
Às vezes vou na cara dura
Às vezes ajo com candura
Pra te conquistar
Mas não sou beata
Me criei na rua
E não mudo minha postura
Só pra te agradar (2x)
Vim parar nessa cidade
Por força da circunstância
Sou assim desde criança
Me criei meio sem lar
Aprendi a me virar sozinha
E se eu tô te dando linha
É pra depois te… Han!
Aprendi a me virar sozinha
E se eu tô te dando linha
É pra depois te abandonar…(4x)
Minha garganta estranha…
(Diz aí!)
Aprendi a me virar sozinha
E se eu tô te dando linha
É pra depois te abandonar
Eh! Eh!
Aprendi a me virar sozinha
E se eu tô te dando linha
É pra depois te abandonar…
100° post! Maria Rita – Não vale a pena
Gente, peço desculpas pela ausência, mas além dos problemas com a conexão algumas coisas imprevistas aconteceram, coisas boas, mas que prefiro não tornar públicas agora.
Para comemorar o centésimo post. Publico aqui uma música que adoro muito, e que agora finalmente posso cantar a plenos pulmões. “Você não vale a pena!”
Sou fã da Elis Regina e como não poderia deixar de ser, sou fã da Maria Rita também.
Espero que apreciem. Aguardem que logo, logo volto a “postar” com mais freqüência, ok?
Beijos a todos e bom fim de semana!
P.S. Dedicado a alguém que já foi especial, hoje em dia nada mais significa para mim.
Não Vale A Pena
Maria Rita
Composição: J. E P. Garfunkel
Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Problemas técnicos
Ola pessoal,
Perdoem-me pelo sumiço, mas estou enfrentando problemas com minha conexão ADSL. Ontem fiquei o dia todo sem sinal e hj a coisa ta estilo “soluço”. Espero conseguir postar hoje.
Até daqui a pouco mais.
Um abraço e boa quarta-feira a todos.
Pascoa
O texto que estou fazendo hoje, será publicado amanhã, pois durante uma pausa, encontrei um texto que escrevi para a época de Páscoa. Eu sei que a Páscoa ja passou, mas o texto continua atual. Espero que gostem.
Ótima semana para todos/as.
P.S. ‘A propósito, estou quase boa da gripe. Obrigada a todos os votos de melhores e a preocupação e o carinho de todos.
Páscoa
Amanhã é páscoa. Uma data tão sentida para mim, cujo significado me toca ainda muito mais fundo o coração. Hoje em dia é muito difícil imaginar alguém que se deixaria matar ou pelo menos ser condenado inocentemente no lugar de um ou de muitos.
Engraçado como estamos cada vez mais concentrados em nos mesmos, em nossas necessidades e/ou nossos problemas. Vivemos num mundo cada vez mais egoísta e cada vez mais hipócrita, onde nos importamos cade vez menos com nosso semelhante, onde o importante é o que a pessoa tem e não aquilo que ela realmente é. E vou ainda mais além, às vezes, até mesmo não podemos ser realmente o que somos, pois como somos ou nos sentimos “diferentes” dos padrões definidos por uma sociedade podre na sua essência, podemos até mesmo ser “punidos” com a “exclusão” (nos melhores casos) dessa coisa chamada sociedade civil.
E’ páscoa! Que tal pensarmos, cada um consigo mesmo, naquilo que temos feitos por nós mesmos, pelos outros? Por que não amar-se mais? Aceitar-se exatamente assim como se é? Por que não deixar fluir de dentro o amor assim como ele é? Não creio que um sentimento, originado em Deus possa ser errado! Como pode qualquer coisa vinda do Pai amantíssimo ser errada? Imperfeita? E isso não vale somente para o amor! Que tal usarmos conosco e com os outros, o respeito, a tolerância?
Eu gostaria realmente de saber se quem estabeleceu os padrões da sociedade (nem tanto moderna). De onde vem essa enorme (falsa) moral que envolve o mundo? Quem somos nós para julgar o que é certo ou que é errado? Existem realmente alguns de nós que são melhores do que os outros e por isso tem o direito de definir como todo o mundo de se comportar?
Por favor, pelo menos agora, que é páscoa, coloquemos a mão na consciência e reflitamos: somos realmente aquilo que sentimos ou somos meramente um (sub)produto dessa sociedade hipócrita e egoísta? Somos capazes realmente de sermos livres para amar nosso semelhante?
Olhemos em torno a nos mesmos…. somos realmente tolerantes? Sabemos respeitar a diversidade? (Mas qual diversidade? Se somos todos iguais, sentimos fome, sono, sede, precisamos amar e ser amados…. ter fé numa força, num ser superior!) . Não, não creio de forma alguma. Pessoas consideradas “diferentes” sofrem com o desrespeito, o descaso, a intolerância todos os dias! E por que? Porque tem uma deficiência, porque tem uma religião, raça ou cor de pele diferentes, ou pior ainda, simplesmente porque amam outras pessoas de forma diferente de nós!
Basta com a hipocrisia! Por que não podemos simplesmente ser quem somos? Por que não somente amar, fazer o bem sem nos importamos a quem o fazemos? Por que não resgatar valores tão importantes já esquecidos? O que pode nos importar, nos “perturbar” se alguém é ou faz as coisas de modo diverso do nosso? E mais… como podemos saber se somos nós os corretos e eles os errados?
E’ páscoa! E eu decidi ser quem sou! Decidi viver minha vida e meus amores plenamente! Decidi lutar por um mundo melhor, ainda que na minha pequena, aliás, minúscula, esfera pessoal. Eu não sou diferente de ninguém, sou imagem do Pai! (E é sempre assim!) Então vou seguir a minha vida, dando o melhor de mim a mim mesma e aos outros. Vou fazer das causas dos outros as minhas próprias!
Mas como eu farei isso? Simples! Eu escrevi essas linhas! E sei que elas não servirão somente para acender a chama do amor dentro dos corações das pessoas (uma em especial), essas linhas servem a declarar o meu amor ao Pai, aos meus semelhantes, mas principalmente, a um amor em especial, que aprendi a deixar fluir, a deixa-lo tomar conta da minha alma e do meu coração. Um amor que está vivo e corre em minhas veias, que urge para transpor todas as barreiras. Um amor que me trouxe a alegria de viver, que alimenta meu ser a cada novo dia.
Nada mais eu poderia desejar aos meus semelhantes do que um amor assim. Um amor despretensioso, que me inspira em tudo, que cresceu em mim, aos poucos, enfrentando todo tipo de dificuldades e resistências, que me trouxe de volta a minha essência. Um amor que fez de mim o que eu sou realmente.
Então, é páscoa! Deixe-se andar, liberte-se das amarras do egoísmo, da hipocrisia, do medo e deixe-se amar! Ame! Ame! Ame! Declare-se ao mundo, ao amor, a você mesmo! Comece a fazer um mundo melhor! A luta por um mundo melhor começa dentro de cada um de nós, e o melhor modo de começa-la é amando! Deixe a vergonha, o pudor, a racionalidade de lado. Experimente somente a sensação de amar e ser amado! Sinta a energia, vibre essa vibração!
O melhor dom que o Pai poderia ter nos dado, e que Jesus, sacrificando a si mesmo, poderia nos mostrar é um só: o amor. Então por que não começar a dizer “Eu te amo”?
Parada Obrigatoria
Olá pessoal,
So para avisar que devido a minha forte gripe o blog so voltará a ser atualizado na segunda-feira, ok?
Peço desculpas a todos/as que me seguem com carinho, mas infelizmente essa será uma pequena parada obrigatória para que eu possa me recuperar bem e voltar à ativa no mais breve tempo possível.
Agradeço pelo carinho, pela compreensão, interesse e audiência! Bom fim de semana! Até segunda!
Eliara Santos.
Carta à um coração especial
Mais um dos textos que jà estavam prontos há algum tempo, esperando somente para ser publicado.
Peço desculpas na atualização tardia do blog, mas estou muito gripada, sem condições de fazer nada a não ser ficar debaixo das cobertas descansando e esperando a gripe passar.
Espero que apreciem.
Boa quinta-feira.
Carta a um coração especial
Tudo o que consigo imaginar nessas ultimas horas é a tua beleza sentada ao meu lado assistindo o nascer do sol, como se estivéssemos ali observando nossas vidas renascendo, saindo da letargia, do vazio escuro da solidão. Segurar tua mão, delicadamente e com força, ao mesmo tempo, de modo a dar-te carinho e a proteger-te, como se fostes a flor mais fina, mais rara e única jamais vista em todo o globo terrestre.
Ah! Se somente pudesses saber o quanto viva sinto-me nesse momento! E’ um delicioso torpor que tomou conta do meu ser, despertando em mim, de modo profundo, sentimentos e emoções tais, que eu julgava não existissem mais. Como se de repente um cego pudesse tornar a enxergar a luz do sol, ou como se um surdo pudesse tornar a escultar doces melodias!
Quanto grata sou ao Senhor, pelo dom das palavras, pois graças a ele posso deixar fluir diretamente da minha alma tudo aquilo que sinto quando nossas almas se encontram. Quanto grata também sou pelo carinho que emanas do teu coração em direção ao meu, e pelas doces palavras que saem da tua boca endereçadas a mim. Nesse momento creio que se Ele não tivesse ofertado-me esse dom, eu seria capaz de conquista-lo da mesma forma, tamanha é a inspiração que sinto ao lembrar da tua doçura.
Se esse sentimento de vida é aquilo que o destino reservou para mim, que seja muito bem-vindo! Espero que a cada finda jornada, esse calor, essa energia seja ainda maior, mais ofuscante! Que a estrela mais brilhante do céu se empalideça e se apague perante a nós. Que a força do mais destruidor dos furacões se torne uma simples brisa de primavera. Que tudo aquilo que nos pertença seja tão somente o amor e alegria! Que o breu do céu noturno seja iluminado pela luz do sentimento que emana de nossas almas, assim como tudo o mais perca a importância perante a imensidão e fortaleza da força que nos une.
Espero ser capaz de retribuir cada sorriso, cada gesto, cada caricia; espero eu, ser digna de tanto carinho, tanta doçura e tanto amor. Pretendo iluminar cada teu amanhecer com a luz do meu sorriso e acolher-te em meus braços em todo e qualquer momento que seja preciso. Quero que meus olhos verdes possam desvendar cada uma das tuas necessidades para que eu tenha condições de tentar com todos os meus esforços satisfaze-las.
Quero aquecer-me no calor emitido pela chama que queima em teu coração. Aproveitar cada instante único da tua presença. Finalmente sorrir para o mundo em torno a mim, realizar-me não somente como mãe, algo que já sou, mas como mulher. Desejo tanto ver seu sorriso iluminando sempre a tua vida (e a minha também). Espero poder ser teu porto-seguro, teu abrigo, fazer com que a minha família também seja a tua.
Sei que tantas coisas que desejo virão com o tempo, se esse for nosso destino (e como eu espero que seja!), mas gostaria que soubesses, que junto das palavras que fluem do meu coração diretamente as mãos que as escrevem, também fluem os meus desejos, o meu carinho, e por que não, o meu amor.
Obrigada por dar-me em tão pouco tempo tamanha alegria e vontade de viver. Obrigada pelo teu carinho, pela tua doçura e amor (por que não?). Teus pensamentos me trazem a vontade de viver, a esperança de um futuro feliz. Espero que o que o sinto, e o que, certamente, sentes, não se finde jamais.
Ironia do destino
Hoje vou publicar pelo primeira vez um pequeno conto que escrevi uns anos atràs. Espero que apreciem.
Boa quarta-feira.
Ironia do Destino
Mais um fim de semana estava chegando, Érica era exausta, estava insatisfeita com seu trabalho, com sua vida, consigo mesma. Ela sabia que deveria mudar, mas mudar exigiria muita coragem, muitas outras coisas… e isso ela não acreditava ter. Levava tudo sempre com muita filosofia… as vezes ate demais. Achava sempre que nada poderia ser tão ruim assim…era uma virtude sua ver sempre o lado bom de cada coisa, pena que as vezes esquecia que o lado ruim era maior. Mas mesmo assim continuava, acomodada naquela sua vidinha comum.
Ela era linda, de uma beleza exuberante. Simpática, tinha um sorriso que iluminava o ambiente e a vida de todos por onde passava. Era já uma mulher de meia idade, mas era como o vinho, quanto mais velha mais bonita, mais encantadora e fascinante. Ela era a típica mulher perfeita: forte, decidida, competente… pecado que essa fosse só a impressão que as pessoas tinham dela, pois por de trás daquela “mascara”, se parecia mais com uma menina assustada e com medo de tudo, mas ainda assim, belíssima.
Naquela quinta-feira, Érica dirigia seu carro , meio que perdida em seus pensamentos, em direção a empresa onde trabalhava. Estacionou o carro e subiu para o escritório. Bastava apenas por o pé para dentro da porta para que todos admirassem tal beleza adentrando o escritório. Com um sorriso, sua marca registrada, e um tímido bom dia, cumprimentou a todos e se dirigiu diretamente a sua mesa. Tinha tantas coisas a serem feitas! Mas ela não se importava, pois o trabalho também servia a não deixa-la pensar demais em coisas que não estavam legais na sua vida, na verdade, para ela apesar de extenuante, o trabalho servia como uma distração.
Computador aceso, mil e-mails a serem lidos, mil coisas a se fazer, redigir, calcular… Érica era o emblema da versatilidade e da competência. Seguia a risca suas regras, lógicas, conceitos… e isso não era valido somente em relação ao trabalho, mas também em todos os outros aspectos de sua vida. Era muito talentosa com as palavras, escrevia muito bem, era formada em jornalismo, mas momentaneamente trabalhava numa outra área profissional. Engraçado, era muito talentosa e competente ao escrever, mas não era tão boa assim com o dom das palavras ditas. Se exprimia melhor com papel e caneta (ou computador e editor de texto) do que com suas próprias palavras. Era quase impossível decifrar seus silêncios, sua personalidade. De fato, uma pessoa do seu convívio quotidiano não seria capaz de saber tanto sobre o que pensava, como realmente era, o que realmente queria… Érica era competente nisso também, em interpretar seu personagem para o mundo. Se adaptava sempre ao mundo a seu redor, mas nunca o contrario… triste, pois não conseguia ser ela mesma. Exceto em algumas raras ocasiões.
O dia estava corrido, e naquela empresa não faltava nunca o que fazer. O dia até passava rápido, mas ela nem tinha tempo de perceber o tempo passar… não tinha tempo, ou talvez não quisesse observar mais atentamente o mundo ao seu redor, de tanto que se ocupava demais em se “esconder” dele. Logo chegou a hora do almoço, comeu a comidinha usual, no restaurante de sempre… era sempre a mesma rotina… a mesma vidinha… nada, ou quase nada do que tinha sonhado pra si mesma. Pausa rápida para o almoço e retorno aos afazeres de sempre.
Final da tarde, Érica exausta, como sempre, desligou o computador, pegou sua bolsa e se preparava para sair quando lembrou-se que tinha combinado com Pedro, seu namorado, de assistir a um filme no DVD e passar a noite juntos em casa. “Logo hoje que eu queria ficar quietinha, comer algo e depois dormir.” – pensou. Se só alguém pudesse ver o que aquela expressão do seu rosto estava realmente dizendo, veria o quão “cheia” daquela vida ela estava.
Entrou no carro, pôs um CD de musicas tranqüilas e saiu em direção a sua casa. Aquele CD era especial, tinha sido dado-lhe por um amigo muito especial. Mesmo dirigindo aquela hora,a clássica hora do “rush”, Erica conseguiu se relaxar um pouco, as musicas eram lindas e pareciam ter sido escolhidas a dedo por aquele amigo. Ele era alguém que a conhecia muito bem, bastava olhar em seus olhos e sabia o que se passava dentro daquele coraçãozinho tão confuso. Érica se sentia segura ao lado de Marcos. Sabia que era amizade para toda a vida, mas tinha um “medo” inexplicável dele, pois tinha certeza que mesmo sem nada dizer-lhe, Marcos a conhecia perfeitamente. Era engraçado, aquela amizade parecia ser mais especial do que as outras, e realmente o era… mas ela não parecia saber disso ou se sabia tentava convencer-se do contrario.
Érica chegou em casa tomou um banho para relaxar, vestiu-se e preparou um lanche. Quando estava indo sentar na sala de televisão a campainha tocou, era Pedro. Ela o recebeu bem, mas não o queria ali naquele momento. Mas como sempre, tentou ver o lado bom das coisas, ao menos não estava sozinha. E isso para alguém extremamente carente como ela era de suma importância. Havia o que houvesse, o importante era não estar só, pena que ainda que acompanhada fisicamente, seu coração se sentisse sempre só.
A noite passou-se tranqüila, Pedro já estava dormindo, mas Érica não conseguia dormir, naquela noite se sentia um pouco mais triste do que o normal, coração apertado, sua mente buscava na lembrança a imagem de alguem especial, Marcos. Mas não apenas seu pensamento ousava buscar a imagem daquele rosto ou qualquer coisa que lembrasse o amigo tão querido, era prontamente reprimido. Era a típica luta entre o id e o super ego… um controla os desejos, os instintos, o que realmente queremos, e o outro controla que tudo seja como os esquemas, as vezes, reprimindo a personalidade de modo a ser compatível com o “padrão” adotado pela sociedade. E essa luta durou horas a fio, mas nem pelo cansaço Érica perdeu a batalha… sua capacidade de controlar as coisas também conseguia controlar seu id.
Marcos era uma boa pessoa. Sempre disponível e amigo, não existia nada que ele não fizesse ou pelo menos tentasse fazer pra ajudar os amigos (e dentre eles, especialmente Érica). Tinha um enorme coração, era uma pessoa de princípios, perfeccionista ao extremo, honesto, leal, sincero, mas sem sorte no amor. Ninguém parecia conseguir entrar e permanecer em seu coração. Não que ele fosse feio, pessoalmente era um homem ate simpático, com um olhar poderoso, penetrante, ao qual nada parecia escapar. Muito inteligente e culto, uma pessoa muito interessante, mas ainda assim solitária.
Marcos e Erica se conheciam há muitíssimo tempo, passaram por muitas coisas juntos. Mas já faziam alguns anos que estavam fisicamente separados. Anos antes Marcos decidira se mudar de cidade, aparentemente sem um motivo preciso, causando, ao menos inicialmente, um certo desconforto e estremecimento em sua amizade com Erica, ainda que esse fato não tenha nunca sido argumento de discussão entre os dois. Marcos, sabia, porem, que o sumiço de Érica por algum tempo, depois da sua mudança, era por causa disso. Ela de alguma forma ficara chateada e triste de ser “abandonada” por seu tao querido amigo. Não que Marcos também não tenha sentido nada… muito pelo contrario… ele sempre soube que sofreria muito por partir e deixa-la só, mas não tinha nada mais que pudesse ser feito. Marcos tinha consciência sobre o que sentia por Erica, mas jamais confessou a ela o que sentia. Morria de medo de perde-la. Preferia sofrer amando calado (sem sequer dar a possibilidade a Érica de saber de seu sentimento) do que eventualmente, perder aquela amizade. Seria o fim do mundo para Marcos se perdesse a única coisa que tinha, seria como cair no vazio e nunca chegar a lugar nenhum, seria como se o mundo se abrisse debaixo de seus pés…
Ainda assim, com esse sentimento reprimido por anos, Marcos sempre esteve presente de um modo ou de outro na vida de Érica. Não poderia deixa-la sozinha jamais. Sabia o quanto ela precisava de amor, de carinho, e tentava na medida do possível, nos limites da amizade suprir um pouco das carências de sua amiga, ainda que a coisa que ele mais desejasse fosse tão somente ama-la e faze-la feliz. E quanto sofria por causa disso! Enquanto seu coração gostaria de explodir e gritar ao mundo o que sentia por Érica, Marcos “interpretava” o personagem de durão, de alguém que conseguia viver muitíssimo bem na sua racionalidade. Ele era como uma fortaleza impossível de ser conquistada. Ninguém conseguia ver o que tinha dentro do seu coração se ele não quisesse. Era impossível ate mesmo para Érica conhecer melhor o seu grande amigo, e isso era algo que ela não entendia. “Por que Marcos se isolava tanto das pessoas?”, pensava. Pecado que não fosse assim para todas as pessoas, era somente Érica que não conseguia furar a barreira posta por Marcos, era só ela que inexplicavelmente ficava de fora, mas isso ela não sabia.
Passaram-se anos, mas ainda assim nada mudava. Érica preferia continuar na sua vidinha comum e infeliz, virando um nada com o tempo, enquanto Marcos, se fechava cada vez na solidão. Érica casou-se com Pedro, enquanto Marcos continuava “pulando de galho em galho”, buscando em outras mulheres, a única mulher que amava e que jamais poderia ter.
Quanto irônico era o destino com esses dois! Ele a amava, mas não dizia nada, e ela também o amava, mas de alguma forma não acreditava ou não se permitia sentir tal sentimento. Tanta gente buscando um amor sincero na vida, procurando alguém com quem dividir a caminhada… e esses dois ali, num impasse ditado do medo e da extrema racionalidade. O ser humano complica demais as coisas, e por isso historias que poderiam ter um final feliz sequer começam.
















